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Artigo: Meio Ambiente e as Novas Tecnologias

 

Há que se falar ao tratarmos de questões ambientais, em responsabilidades, uso racional de matéria prima e energias, da questão que se coloca das novas tecnologias. Falaremos aqui da questão dos telefones celulares e suas baterias com alto poder de poluição devido aos componentes que estão embutidos na sua fabricação.

Há algum tempo ouvi falar de uma decisão, lei ou resolução sobre o descarte das baterias, que estas deveriam ser entregues, quando estragadas, nos postos de venda que teriam a incumbência de dar a elas o final devido, reciclagem, reutilização, enfim.

Sendo uma tecnologia nova desperta naturalmente o interesse de muitos e, aos poucos, junto à diminuição dos preços, a quantidade de modelos disponíveis faz com que a demanda se torne quase insana para este mercado. Hoje há aparelhos a preços de banana, ou quase, e algumas empresas estão oferecendo aparelhos grátis para quem contrata o serviço.

Com este quadro natural de busca por este serviço unido a ações e comportamento que induzem todos a acreditarem que esta tecnologia é imprescindível em suas vidas, coisa de que o bom e verdadeiro marketing não deveria se ocupar e sim tratar de movimentar o mercado de forma ética e coerente, a questão de baterias estragadas foi relegada a poucos casos visto que trocamos o aparelho antes da bateria terminar sua vida útil ou apresentar defeitos.

A questão que se coloca é que, com esta grande oferta de celulares - as empresas estão disponibilizando celulares como já dissemos e, ainda, não querem o aparelho anterior de volta, não serve para nada, é sucata, é lixo como me disse um representante de uma destas empresas - a questão começa a se encaminhar rapidamente para gravidade. Onde serão colocados estes parelhos com suas baterias? Por enquanto na gaveta de casa ou do escritório, mas até quando permanecerão lá? Há ainda empresa que não recebe o aparelho de volta na troca e não o libera para que possa ser comercializado e utilizado por outro usuário, assim este aparelho se torna realmente uma sucata nova, tenho dois assim numa gaveta na empresa.

Voltamos então à questão da responsabilidade. Hoje não podem mais as empresas se darem ao luxo de utilizarem a matéria prima em função apenas de seu poder financeiro. Devem ter a preocupação com o fato de que estão transformando matéria prima em sucata ou, se parecer melhor ou mais claro, meio ambiente em lixo. De forma direta!

Devemos exigir mais coerência na utilização do meio ambiente seja por quem seja, grandes corporações ou pelo consumidor final. Não podem, um ou outro, ter o direito de, por poder financeiro, desperdiçar da natureza de forma desenfreada, irresponsável.

Há mais ainda, a tal lei ou resolução que falava do descarte de baterias ou da responsabilidade do fabricante ou seu representante, foi tornada inócua e vazia. Tal lei legisla sobre um fato que não mais é deixado ocorrer, qual seja a bateria do aparelho terminar sua vida útil antes do próprio.

Mais uma vez a força do poder econômico e a ilusão do consumidor em pensar que necessita deste serviço da forma como ocorre, e ainda trocar seu aparelho a cada par de meses, está criando um monstro de tipo e forma ainda não conhecido em suas extensões e conseqüências.

Isto dá o que pensar, ou deveria.

 

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Artigo

Meio Ambiente e as Novas Tecnologias

 

Autor

Roberto Lima

 

Data

Novembro/2005